Poetas do Parque

Um poema por semana
Celebramos os autores representados no Parque dos Poetas. São 60 vozes distribuídas por 60 semanas.

Na conceção deste Parque, que constitui uma das marcas distintivas do concelho de Oeiras, figura a simbologia da árvore, como um percurso, uma rua, onde em cada folha se celebra um poeta e a memória das palavras. A simbologia da árvore como tronco, a poesia como matéria comum de todas as folhas onde os 60 poetas estão representados. Como enxertos. Escuta e contaminação onde tudo se reescreve infinitamente.

A presente seleção de poemas e autores não segue, por isso, os passos temporais e cronológicos, mas procura construir um mapa de um diálogo possível, tentando encontrar algo de comum que, simultaneamente, os aproxime e distinga.

Iniciamos este caminho, no Dia Mundial da Poesia, da Árvore e da Floresta, com Camilo Pessanha, autor de Clepsidra, que significa relógio de água, um dos instrumentos mais antigos para medir o tempo. Numa alusão à efemeridade da vida e à nossa finitude. Por isso mesmo, a poesia, a mais alta forma de música, é esse lugar onde nos reconstruímos eternamente, acrescentando palavras no grande livro da nossa humanidade.

Conheça os poetas representados no Parque. A poesia anda por aqui…

Violoncelo

Chorai, arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas,
Pontes aladas
De pesadelo…
 

De que esvoaçam,
Brancos, os arcos…
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio, os barcos.
 

Fundas, soluçam
Caudais de choro.
Que ruínas (ouçam)!
Se se debruçam
Que sorvedouro!…
 

Trémulos astros…
Soidões lacustres…
– Lemos e mastros…
E os alabastros
Dos balaústres!
 

Urnas quebradas!
Blocos de gelo…
– Chorai, arcadas,
Despedaçadas,
Do violoncelo.
 

Camilo Pessanha, In Clepsidra (1867 – 1926)

(Celebração do Centenário da morte do poeta. Dia Mundial da Poesia 2026)

Para mais informação sobre o poeta consulte o Portal Oeiras 27

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