Em 1934, oito anos depois da morte de Pessanha no Oriente, Pessoa escrevia estas palavras “A cada de só três poetas, no Portugal dos séculos XIX e XX, se pode aplicar o nome de ‘Mestre’. São eles Antero de Quental, Cesário Verde e Camilo Pessanha (…)”. Cesário nasceu primeiro, em 1855 e faleceu antes de Camilo Pessanha. Partilharam o mesmo caminho da poesia e cruzaram-se, certamente, em inúmeros lugares. Nos versos também, pela irreverência e impacto da sua poesia. Um com telas impressionistas, outro com pincéis simbolistas. Ambos precursores do modernismo e que iriam influenciar e informar as gerações seguintes. Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro, poetas do Orpheu, reconhecem-lhes o seu génio.
Continuamos o trilho da árvore com o retrato lúbrico da mulher de Cesário Verde com quem Pessanha dialoga de forma diversa. Possui um poema com o mesmo nome. No entanto, se cronologicamente Cesário antecede Pessanha na data nascimento e se antecipa na morte, ambos são gigantes que continuam a ressoar nos dias hoje. Ambos lançam à terra as sementes onde floresce a nova estética modernista. Falam da Mulher independente, afirmativa e irreverente e que perdura sempre!
LÚBRICA
Teus olhos sensuais,
Libidinosa Marta,
Teus olhos dizem mais
Que a tua própria carta.
As grandes comoções
Tu neles, sempre, espelhas;
São lúbricas paixões
As vividas centelhas…
Teus olhos imorais,
Mulher, que me dissecas,
Teus olhos dizem mais
Que muitas bibliotecas!
Cesário Verde, In O Livro de Cesário Verde e Poesias Dispersas (1855 – 1886)
Para mais informação sobre o poeta consulte o palavras27.oeiras.pt
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