Em 2026, as Bibliotecas de Oeiras convidam os seus leitores a embarcar numa viagem literária à escala global. De norte a sul, de este a oeste, percorremos o mundo através das palavras, explorando múltiplas vozes, universos únicos, identidades e experiências, que dão forma às literaturas dos vários cantos do mundo.
A esta travessia damos o nome de Cartografias Literárias — um convite à descoberta, onde cada livro é um mapa, cada autor um guia e cada leitura uma nova coordenada no vasto atlas da Literatura.
Em abril, destacamos a literatura da América do Norte que nos convida à exploração de diferentes paisagens culturais, sociais e históricas através da literatura. Obras como A letra encarnada, de Nathaniel Hawthorne, e A desobediência civil, de Henry David Thoreau, revelam as raízes morais e filosóficas da sociedade norte-americana, enquanto Por favor, não matem a cotovia, de Harper Lee, e A sangue frio, de Truman Capote, exploram tensões ligadas à justiça, violência e desigualdade. Já Por quem os sinos dobram, de Ernest Hemingway, amplia esse mapa ao cruzar experiências individuais com grandes conflitos históricos.
Por outro lado, a contemporaneidade e a diversidade de vozes ganham destaque com autores como Margaret Atwood e Alice Munro, que oferecem olhares sensíveis sobre identidade, género e relações humanas em contextos canadenses. Obras como A história de uma serva e Ódio, amizade, namoro, amor, casamento contrastam com narrativas urbanas e críticas como Psicopata americano, de Bret Easton Ellis, e Pastoral americana, de Philip Roth, que questionam o ideal do “sonho americano”. O percurso completa-se com o documentário I Am Not Your Negro, realizado por Raoul Peck a partir dos textos de James Baldwin, reforçando a literatura como ferramenta essencial para mapear questões de raça, memória e identidade na América do Norte.