Foi lançada, nos dias 7 e 8 de maio, a mais recente publicação da coleção Os Livros de Oeiras, resultado de um projeto de escrita criativa desenvolvido no Estabelecimento Prisional de Caxias durante o primeiro semestre de 2025.
A obra, intitulada A Forma do Tempo, nasceu no âmbito do Curso de Escrita Criativa orientado pelo escritor José Luís Peixoto, reunindo textos produzidos em contexto de reflexão, escuta e partilha. O livro afirma a escrita como espaço de expressão, liberdade e construção de futuro.
A primeira apresentação decorreu a 7 de maio, junto da comunidade reclusa do Estabelecimento Prisional de Caxias. No dia 8 de maio, a obra foi apresentada publicamente no Centro Cultural de Barcarena. Ambas as sessões contaram com a participação de José Luís Peixoto, curador do projeto, bem como de Maria Lemos Costa e Algo, responsáveis pelas leituras musicadas que acompanharam a apresentação.
Sobre a construção das ilustrações para este livro, Rita Leitão escreve:
“Como qualquer processo criativo, também a ilustração para A Forma do Tempo se revelou uma viagem. Havia a responsabilidade de oferecer aos textos as imagens que procuravam— como em qualquer relação de amor.
Abordei este livro de forma intuitiva: experimentei com o desenho e com a pintura, mas foi no contorno dos recortes que encontrei a linguagem certa. Compor com imagens, desenhar com a tesoura, pintar a cinzento.
Neste livro, os recortes são partilhados entre páginas, alterando as suas composições a cada texto — talvez como uma tentativa de ver o que cada poema escreve.
Desenhei com a tesoura — entre a figuração e a abstração — e pintei com cinzento. Trabalhar em preto e branco foi também uma novidade: na pintura, o cinzento resulta da mistura de todas as cores da paleta. Poderá então o cinzento conter todas as cores do mundo?
As palavras deste livro chegaram-me com uma honestidade desarmante. Senti a cada verso, e quis que o leitor também. Falar de liberdade é falar do que há de mais profundo em nós, do que resiste e se mutua. Seremos livres? Talvez o sejamos, por instantes, quando um poema nos toca.”
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