
Fernando Pessoa em José Saramago: Uma Mensagem na Jangada de Pedra, por Ricardo Belo de Morais
José Saramago tomou contacto com Fernando Pessoa sem o conhecer, na adolescência, ainda aprendiz de serralheiro mecânico, lendo as Odes de Ricardo Reis num exemplar da revista Athena. Julgou que o poeta das odes clássicas existia realmente, em carne e osso; e só mais tarde descobriu que Ricardo Reis era uma ficção saída da cabeça de Fernando Pessoa. E uma ficção com um verso que José Saramago considerou monstruoso: “Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo”. O romance “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, publicado em 1984, é a resposta a esse verso. Além do romance que muito o ajudou a conquistar o único Nobel da Literatura português, José Saramago colecionou, ao longo da vida, múltiplas pontes com Fernando Pessoa. Ambos foram leitores ávidos de terceiros, fundindo-os com a sua genialidade artística. Ambos foram pesquisadores, jornalistas, pensadores e escritores de vários géneros. Ligou-os ainda as ideias de Paz, de Cultura e de uma “mãe” inesperada, a Ibéria – que se projeta no Mar e nele procura os mundos de «Mensagem» ou, noutro prisma, a aventura de uma «Jangada de Pedra”.
Em 2008, como que em despedida, José Saramago escreveu que “Fernando Pessoa nunca chegou a ter verdadeiramente a certeza de quem era, mas por causa dessa dúvida é que nós vamos conseguindo saber um pouco mais quem somos.”
Livraria Municipal Verney // 16 MAIO | sábado | 15h00
Entrada livre, sujeita à capacidade da sala.
Informações: livraria.verney@oeiras.pt | 214 408 329
